Depois de uma sigilosa negociação, iniciada no primeiro semestre do ano passado, finalmente a Prefeitura de Botucatu ganhou o direito de zelar pelo patrimônio da Rede Ferroviária Federal.
“Agora o município poderá desenvolver projetos naquele local, recuperar o patrimônio histórico, cultural e econômico da cidade. Temos muitos projetos para aquela área”, afirmou o prefeito João Cury Neto, [PSDB], que atuou com o deputado Michel Temer [PMDB] e a assessoria do gabinete do Ministro Paulo Bernardo [PT] do Planejamento.
A autorização de uso de todos os imóveis da Rede foi assinada pelo prefeito e Superintendente substituto do Patrimônio da União no Estado de São Paulo, Raphael Bischof. Essa cessão de uso, também teve apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.
“A verdade é que muita gente tentou, mas não conseguiu. Buscamos os caminhos que nos foram abertos e fizemos este pedido de cessão de uso, diretamente, ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que entendeu a importância do patrimônio da Rede passar ser zelada pelo município. Com isso, poderemos viabilizar naquele amplo espaço projetos que são do interesse da nossa cidade”, comemorou Cury.
O prefeito destacou que o Ministro de Planejamento teve espírito republicano e se sensibilizou com a reivindicação de Botucatu. “Ele nos atendeu muito bem e também graças o deputado Temer, conseguimos trazer esse importante benefício para Botucatu”, comemorou Cury. “Fizemos um trabalho silencioso para evitar que forças contrárias pudessem dificultar as negociações”, disse.
O prefeito adianta que faz parte do projeto criar naquele espaço um Centro de Entretenimento para realizações de festas e eventos variados.
“Como se sabe, Botucatu não possui uma área apropriada, com espaço suficiente para realizar grandes eventos. Nessa área central a idéia é criar, por exemplo, o trem turístico onde as pessoas pudessem conhecer as belezas naturais da região em um trem. Vamos fazer estudos e planejar. Acho que Botucatu tem mesmo que comemorar essa conquista que não é nossa e sim de toda população”, colocou o prefeito.
“CASAS DA FEPASA”
O próximo passo, segundo o prefeito, será conseguir a cessão definitiva de uso, para incorporar todo aquele espaço no patrimônio do município. Para evitar qualquer tipo de polêmica e especulação política, João Cury Neto, adianta que as pessoas que moram em casas pertencentes à Rede não terão qualquer problema.
“Os moradores terão preferência para adquirir os imóveis. Não iremos tirar ninguém de suas casas. Pelo contrário, nosso objetivo é ajudar a todos que zelam por essas casas por muitos anos. São gerações de famílias que cresceram e viveram nessas casas. Vamos trabalhar para que esses moradores consigam as escrituras definitivas dos imóveis”, concluiu o prefeito.
PATRIMÔNIO
SAQUEADO
Botucatu, Campinas, Santos, Ribeirão Preto e Bauru, eram os principais entroncamentos ferroviários do Estado e depois que o governo paulista negociou a Ferrovias Paulistas S.A –Fepasa, pagando dívida do Estado, a União privatizou apenas as linhas e não criou mecanismos de proteger os prédios, que continuaram patrimônio da união, sem uso.
A negociação do patrimônio com o Governo Federal, durante aproximadamente 8 anos ficou emperrada. Havia uma resposta padrão dos integrantes do governo anterior, que afirmavam estar com “negociações adiantadas” e em “trinta ou sessenta dias haveria uma resposta sobre o pleito”. Assim foi até o término do governo.
Com a desativação do transporte de passageiros, os imóveis foram abandonados pelo governo federal e se deterioram com o tempo, além de terem sido roubados a olhos vistos. Em Botucatu roubaram fios da rede elétrica, antiga base de motorização das locomotivas, o aço das composições, telhas, rede elétrica, tijolos dos prédios. Viciados que ocuparam a área incendiaram algumas edificações.
MACHETTTI QUER FERROVIÁRIOS NO PROJETO
O ex-vereador e sindicalista Hélio Maschetti, presidente do Sindicato dos Ferroviários de Botucatu considerou louvável a decisão do governo federal e a iniciativa do prefeito João Cury, na conquista da área, destacando que a ferrovia marcou um momento econômico da força operária dos ferroviários botucatuenses e paulistas.
“Louvável a iniciativa do Prefeito, Ministro e do deputado Michel Temer, em destinar essa área de 6 alqueires na área central da cidade para o município. A região está diretamente ligada à história do operariado do Estado. Botucatu era uma cidade de operários e profissionais especializados da ferrovia. Hoje temos mil e seiscentos aposentados, que trabalharam sobre sol e chuva com orgulho de ser ferroviário, vendo sua historia vergonhosamente abandonada e roubada virando ferro velho”, reclamou.
No entendimento do sindicalista, se a Prefeitura tivesse ocupado há cerca de 8 anos e negociado, como fizeram algumas prefeituras da região, como Avaré, São Manuel, Dois Córregos, Jaú e Laranjal Paulista, a destruição do patrimônio publico seria menor.
“Com a ocupação da prefeitura e imediato pedido de posse da área não haveria, com certeza, a destruição do patrimônio e a prefeitura poderia proteger a nossa história”, disse.
O sindicalista lembrou que reuniu-se há cerca de 8 anos com o ex-prefeito para articular a ocupação da área. “A Famesp estava adquirindo a área da administração para implantação de uma clínica ou coisa semelhante e nos reunimos á noite, por volta das 23 horas para ocupar a área. Infelizmente o ex-prefeito ocupou unicamente a administração, ficou com uma pequena área, enquanto as demais foram sendo destruídas e saqueadas”, reclamou.
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[fotos: site estações ferroviarias, são paulo abandonada e trensferrovias]